Como atriz gostaria que o Dia Mundial do Teatro inspirasse mais grandes festejos, mas... acho que atualmente o dia é mais para reflexão do que comemoração.
"Hoje é o Dia Mundial do Teatro.
Já aviso que esse post é longo e como não sou adepta a encher a timeline de ninguém com posts enormes, hoje me dou o direito de assim fazê-lo, pois penso que a ocasião merece.
“O homem é um animal que finge - e nunca é tão autêntico como quando interpreta um papel”
Já aviso que esse post é longo e como não sou adepta a encher a timeline de ninguém com posts enormes, hoje me dou o direito de assim fazê-lo, pois penso que a ocasião merece.
“O homem é um animal que finge - e nunca é tão autêntico como quando interpreta um papel”
(William Hazlitt, escritor inglês)
O dia de uma das artes mais antigas do mundo faz-se dia de celebração, mas faz-se também dia de reflexão e de luta, não apenas hoje, mas todos os dias. Como disse um ex-professor de teatro meu: "Fazer teatro é matar um leão por dia".
Hoje eu acrescento: não apenas um leão, mas dez, vinte, cem. Quem está na labuta entende. As lutas são difíceis, não temos ainda políticas que garantam plenamente a promoção da arte e da cultura e nem o devido reconhecimento como profissionais.
Mas talvez as batalhas mais difíceis que travamos sejam contra nós mesmos. Porque queremos ser a favor do autoconhecimento que a arte provoca. A favor dos nossos corpos fluindo sem amarras, da nossa imaginação saltitando por todas as infinitas possibilidades, da nossa voz ocupando todos os nossos espaços internos e externos, da nossa criatividade abrindo caminhos antes não conhecidos, do nosso olhar experimentando novas formas de ver o cotidiano, da nossa palavra vociferando pra dizer o indizível.
Porque o teatro é a favor do potencial humano que somos e não sabemos.
Já ouvi comentários de pessoas que disseram que num país como o Brasil onde as desigualdades sociais são gritantes, o investimento em arte e cultura é de menor importância. A essas pessoas eu respondo:
A arte nunca salvou ninguém de morrer de fome, é verdade. Mas acho que as coisas devem ser pensadas sob outro ângulo. Faço minhas as palavras de Mario Vargas Lhosa, quando em resposta a Sartre, que em um ensaio aconselhou os escritores de novos países africanos a pararem de escrever e se dedicarem a atividades mais urgentes para construir um país onde mais tarde a literatura fosse possível.
Vargas Lhosa respondeu:
“A partir de qual coeficiente de proteínas per capita num país era já ético escrever romances? Que índices deviam alcançar a renda nacional, a escolaridade, a mortalidade, a salubridade, para que não fosse imoral pintar um quadro, compor uma cantata ou fazer uma escultura? Que ocupações humanas resistem à comparação com as crianças mortas mais airosamente que os romances? A astrologia? A arquitetura? Vale mais o palácio de Versalhes que uma criança morta? Quantas crianças mortas equivalem à teoria dos quanta?” (1985)
Não se pode esperar até que as injustiças sociais sejam superadas para que a arte seja possível.
A arte é urgente. A vida é urgente. E é agora".
O dia de uma das artes mais antigas do mundo faz-se dia de celebração, mas faz-se também dia de reflexão e de luta, não apenas hoje, mas todos os dias. Como disse um ex-professor de teatro meu: "Fazer teatro é matar um leão por dia".
Hoje eu acrescento: não apenas um leão, mas dez, vinte, cem. Quem está na labuta entende. As lutas são difíceis, não temos ainda políticas que garantam plenamente a promoção da arte e da cultura e nem o devido reconhecimento como profissionais.
Mas talvez as batalhas mais difíceis que travamos sejam contra nós mesmos. Porque queremos ser a favor do autoconhecimento que a arte provoca. A favor dos nossos corpos fluindo sem amarras, da nossa imaginação saltitando por todas as infinitas possibilidades, da nossa voz ocupando todos os nossos espaços internos e externos, da nossa criatividade abrindo caminhos antes não conhecidos, do nosso olhar experimentando novas formas de ver o cotidiano, da nossa palavra vociferando pra dizer o indizível.
Porque o teatro é a favor do potencial humano que somos e não sabemos.
Já ouvi comentários de pessoas que disseram que num país como o Brasil onde as desigualdades sociais são gritantes, o investimento em arte e cultura é de menor importância. A essas pessoas eu respondo:
A arte nunca salvou ninguém de morrer de fome, é verdade. Mas acho que as coisas devem ser pensadas sob outro ângulo. Faço minhas as palavras de Mario Vargas Lhosa, quando em resposta a Sartre, que em um ensaio aconselhou os escritores de novos países africanos a pararem de escrever e se dedicarem a atividades mais urgentes para construir um país onde mais tarde a literatura fosse possível.
Vargas Lhosa respondeu:
“A partir de qual coeficiente de proteínas per capita num país era já ético escrever romances? Que índices deviam alcançar a renda nacional, a escolaridade, a mortalidade, a salubridade, para que não fosse imoral pintar um quadro, compor uma cantata ou fazer uma escultura? Que ocupações humanas resistem à comparação com as crianças mortas mais airosamente que os romances? A astrologia? A arquitetura? Vale mais o palácio de Versalhes que uma criança morta? Quantas crianças mortas equivalem à teoria dos quanta?” (1985)
Não se pode esperar até que as injustiças sociais sejam superadas para que a arte seja possível.
A arte é urgente. A vida é urgente. E é agora".
