sábado, 11 de maio de 2013
Atenção! Não dê dinheiro aos ricos.
Fazendo minhas as palavras do Sakamoto.
Leitura anti-preconceito de classe.
http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/05/10/atencao-nao-de-dinheiro-aos-ricos-isso-os-torna-vagabundos/
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Trilhando sonoridades
Fazendo minhas as palavras da Alanis...
"I'm broke but I'm happy
I'm poor but I'm kind
I'm short but I'm healthy, yeah
I'm high but I'm grounded
I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful baby...
I feel drunk but I'm sober
I'm young and I'm underpaid
I'm tired but I'm working, yeah...
I'm free but I'm focused
I'm green but I'm wise
I'm hard but I'm friendly baby
I'm sad but I'm laughing...
An' what it all boils down to
Is that no one's really got it figured out just yet
'Cause I've got one hand in my pocket
And the other one is playing the piano..."
"... ... ... ... ... ... ... ... "
domingo, 5 de maio de 2013
Os olhos que não veem
Ultimamente não tenho visto o mundo que me cerca.
Não vejo as tempestades de emoções que insistem em me atingir. Venham de mim mesma ou das pessoas ao meu redor.
Não vejo o olhar cansado da atendente do caixa da lanchonete da Faculdade de Letras. Aquele olhar de quem quer ir pra casa, mas não pode porque tem que vender até a última gota de seu suor ao dono do seu trabalho.
Não vejo a testa enrugada da moça da portaria da biblioteca da FAFICH. Sempre com aquela cara de quem odeia o que faz. A obrigação de estar ali consome até as células de sua pele.
Não vejo o passar do tempo que se mostra nos fios grisalhos do cabelo da faxineira da faculdade de Letras, que me confessa que quer pintá-los de chocolate, mas tem medo de se arrepender...
São tantas coisas que não vejo.
Não vejo a falta de jeito daquela adolescente pobre em lidar com o próprio corpo que carrega, pesadamente, na estufada barriga, alguns meses de vida. Não vejo seu tímido pedido de algum trocado. Pedido que se repete toda vez que volto para casa a noite.
Não vi essa semana o semblante sem graça do trocador do ônibus toda vez que o surpreendia olhando pra mim como quem admira uma mulher bonita. (Obrigada, moço!)
Não vejo a felicidade ingênua estampada no rosto da minha cahorrinha toda vez que eu a coloco na janela para apreciar a vista proporcionada pelo 4º andar do nosso apartamento. Não vejo que basta apenas uma lufada de vento no focinho para sua satisfação.
Não vejo o olhar delicioso do lindo rapaz da biblioteca que me olha ( e se deixa olhar) de forma tão prazerosa que faz minha respiração acelerar. Seu olhar é como um toque na pele.
Ah, meus olhos famintos que me mostram tudo aquilo que não vejo.
O que mais haverá por aí para não ser visto?
sábado, 30 de março de 2013
Dia Mundial do Teatro
Post no meu facebook pela lembrança do Dia Mundial do Teatro: 27 de março.
Como atriz gostaria que o Dia Mundial do Teatro inspirasse mais grandes festejos, mas... acho que atualmente o dia é mais para reflexão do que comemoração.
Como atriz gostaria que o Dia Mundial do Teatro inspirasse mais grandes festejos, mas... acho que atualmente o dia é mais para reflexão do que comemoração.
"Hoje é o Dia Mundial do Teatro.
Já aviso que esse post é longo e como não sou adepta a encher a timeline de ninguém com posts enormes, hoje me dou o direito de assim fazê-lo, pois penso que a ocasião merece.
“O homem é um animal que finge - e nunca é tão autêntico como quando interpreta um papel”
Já aviso que esse post é longo e como não sou adepta a encher a timeline de ninguém com posts enormes, hoje me dou o direito de assim fazê-lo, pois penso que a ocasião merece.
“O homem é um animal que finge - e nunca é tão autêntico como quando interpreta um papel”
(William Hazlitt, escritor inglês)
O dia de uma das artes mais antigas do mundo faz-se dia de celebração, mas faz-se também dia de reflexão e de luta, não apenas hoje, mas todos os dias. Como disse um ex-professor de teatro meu: "Fazer teatro é matar um leão por dia".
Hoje eu acrescento: não apenas um leão, mas dez, vinte, cem. Quem está na labuta entende. As lutas são difíceis, não temos ainda políticas que garantam plenamente a promoção da arte e da cultura e nem o devido reconhecimento como profissionais.
Mas talvez as batalhas mais difíceis que travamos sejam contra nós mesmos. Porque queremos ser a favor do autoconhecimento que a arte provoca. A favor dos nossos corpos fluindo sem amarras, da nossa imaginação saltitando por todas as infinitas possibilidades, da nossa voz ocupando todos os nossos espaços internos e externos, da nossa criatividade abrindo caminhos antes não conhecidos, do nosso olhar experimentando novas formas de ver o cotidiano, da nossa palavra vociferando pra dizer o indizível.
Porque o teatro é a favor do potencial humano que somos e não sabemos.
Já ouvi comentários de pessoas que disseram que num país como o Brasil onde as desigualdades sociais são gritantes, o investimento em arte e cultura é de menor importância. A essas pessoas eu respondo:
A arte nunca salvou ninguém de morrer de fome, é verdade. Mas acho que as coisas devem ser pensadas sob outro ângulo. Faço minhas as palavras de Mario Vargas Lhosa, quando em resposta a Sartre, que em um ensaio aconselhou os escritores de novos países africanos a pararem de escrever e se dedicarem a atividades mais urgentes para construir um país onde mais tarde a literatura fosse possível.
Vargas Lhosa respondeu:
“A partir de qual coeficiente de proteínas per capita num país era já ético escrever romances? Que índices deviam alcançar a renda nacional, a escolaridade, a mortalidade, a salubridade, para que não fosse imoral pintar um quadro, compor uma cantata ou fazer uma escultura? Que ocupações humanas resistem à comparação com as crianças mortas mais airosamente que os romances? A astrologia? A arquitetura? Vale mais o palácio de Versalhes que uma criança morta? Quantas crianças mortas equivalem à teoria dos quanta?” (1985)
Não se pode esperar até que as injustiças sociais sejam superadas para que a arte seja possível.
A arte é urgente. A vida é urgente. E é agora".
O dia de uma das artes mais antigas do mundo faz-se dia de celebração, mas faz-se também dia de reflexão e de luta, não apenas hoje, mas todos os dias. Como disse um ex-professor de teatro meu: "Fazer teatro é matar um leão por dia".
Hoje eu acrescento: não apenas um leão, mas dez, vinte, cem. Quem está na labuta entende. As lutas são difíceis, não temos ainda políticas que garantam plenamente a promoção da arte e da cultura e nem o devido reconhecimento como profissionais.
Mas talvez as batalhas mais difíceis que travamos sejam contra nós mesmos. Porque queremos ser a favor do autoconhecimento que a arte provoca. A favor dos nossos corpos fluindo sem amarras, da nossa imaginação saltitando por todas as infinitas possibilidades, da nossa voz ocupando todos os nossos espaços internos e externos, da nossa criatividade abrindo caminhos antes não conhecidos, do nosso olhar experimentando novas formas de ver o cotidiano, da nossa palavra vociferando pra dizer o indizível.
Porque o teatro é a favor do potencial humano que somos e não sabemos.
Já ouvi comentários de pessoas que disseram que num país como o Brasil onde as desigualdades sociais são gritantes, o investimento em arte e cultura é de menor importância. A essas pessoas eu respondo:
A arte nunca salvou ninguém de morrer de fome, é verdade. Mas acho que as coisas devem ser pensadas sob outro ângulo. Faço minhas as palavras de Mario Vargas Lhosa, quando em resposta a Sartre, que em um ensaio aconselhou os escritores de novos países africanos a pararem de escrever e se dedicarem a atividades mais urgentes para construir um país onde mais tarde a literatura fosse possível.
Vargas Lhosa respondeu:
“A partir de qual coeficiente de proteínas per capita num país era já ético escrever romances? Que índices deviam alcançar a renda nacional, a escolaridade, a mortalidade, a salubridade, para que não fosse imoral pintar um quadro, compor uma cantata ou fazer uma escultura? Que ocupações humanas resistem à comparação com as crianças mortas mais airosamente que os romances? A astrologia? A arquitetura? Vale mais o palácio de Versalhes que uma criança morta? Quantas crianças mortas equivalem à teoria dos quanta?” (1985)
Não se pode esperar até que as injustiças sociais sejam superadas para que a arte seja possível.
A arte é urgente. A vida é urgente. E é agora".
terça-feira, 26 de março de 2013
Eles estão lá
Eles estão lá. Em meio às ruas, sinais, faixas, placas... sempre compartilhando (e produzindo) conosco a música urbana.
Eles estão lá. Nas bancas de revistas, na cafeteria, padaria, restaurantes... nos devorando por inteiro.
Eles estão lá. Nas academias, nas milagrosas dietas de emagrecimento, zombando das nossas imperfeições.
Eles estão lá. Acima das nossas cabeças, tampando nossos olhos, nos protegendo do sol.
Eles estão lá. No nosso café da manhã, nos obrigando a engulí-los junto com o pão e o leite.
Eles estão lá. Nos intervalos dos jornais, revistas, horóscopos... nos lembrando o quanto a condição humana é pesada.
Eles estão lá. Lendo nossos e-mails, seguindo nossos passos, publicando nossas dores!
Eles ainda estão lá. Competindo pela nossa vontade na TV. Saltando aos nossos olhos!
Eles estão lá. Nos acompanhando nas viagens de ônibus, carro, trem, avião... seja pelo ar, por terra ou por mar, eles estão lá.
Eles continuam lá! Faça chuva, sol, neve, calor... em todas as estações do ano. 365 dias. Eles estão lá.
Eles estão lá... nos espaços antes invioláveis do nosso mais íntimo ser.
Haverá algum lugar ainda não conquistado por eles?
segunda-feira, 18 de março de 2013
O marimbondo
Esse mês durante uma das que tem sido minhas
atividades favoritas (ficar deitada na cama pensando/ viajando, olhando para o
teto e para o céu, que com sorte está com muitas estrelas brilhantes) algo
inusitado aconteceu: fui picada por um marimbondo. Digo inusitado não por se
tratar de um fato incrível, que merece descrições épicas, mas pelo caráter
extraordinário da situação na minha vida: não me lembro da última vez em que fui
picada por estes insetos. As ferroadas eram comuns na minha infância, quando na
casa dos meus avós eu e meus primos nos divertíamos tirando o sossego dos
pobres coitados em suas casas ou até mesmo tentando matá-los colocando fogo em
seus ninhos duramente construídos. Na infância eu disse, não agora na minha
vida de adulta jovem. Achei estranho aquele bicho estar no meu quarto à noite e
quis entender o sentido daquela visita noturna. Em uma rápida pesquisa pelo
google descobri que o marimbondo, além de detentor do elegante nome Trypoxylon
figulus, possui hábitos diurnos, adora a luz solar, gostando de tomar um
solzinho, é atraído por sucos de frutas (cardápio refinado o do bichinho),
xarope de gengibre (?), peixes e carnes (eu sou vegetariana). O que quer dizer
que não há cientificamente nenhuma explicação para o fato do Trypoxylon
figulus encontrar-se na minha cama no momento em que eu ia me deitar pra
pensar. Pois bem, ao mover levemente um dos meus braços até minha cabeça para
acomodá-lo em cima da minha testa e assim começar meu processo mental viajante,
eis que encosto minha mão em alguma parte do colchão e sou picada. No momento
pensei: "Putz, um marimbondo, vai doer". E fiquei esperando aquela dor
cortante, já pensando se seria melhor passar água oxigenada, álcool ou pasta de
dente. E a dor começou, só que pra minha surpresa foi muito pequena, uma leve
ardência e só. Então me dei conta de que estava com a memória da dor de quando
era criança, e naquela época parecia uma dor insuportável. Mas, hoje não.
Fiquei feliz com a descoberta. "Que legal, hoje nem dói tanto assim".
Fiquei pensando que talvez isto faça algum sentido: o que me dói tanto hoje
daqui a algum tempo não vai passar de uma leve ardência. Confesso que a ideia
me aliviou. Quando se está imerso em um caos de emoções dolorosas é consolador
pensar que é passageiro. Aquela criança achava insuportável uma picada de
marimbondo, a (criança?) adulta de hoje suporta tranquilamente e ainda ri da reação
da criança de ontem. Ri do seu medo, do seu choro, da sua dor. Mas por que não
falaram com aquela menina que nem doía tanto assim? Por que não falaram que
depois ela ia lembrar daquilo e achar graça (ou escrever um texto)? Decerto,
ela não ia acreditar. A dor era real demais, pungente demais, aquela picada parecia
penetrar lá dentro da sua carne. Hoje as dores penetram mais fundo. Impressionante
como elas descobrem os caminhos. Passam pelos pêlos, pele, veias, carnes, músculos,
avançam pelos órgãos digestivos, reprodutivos, respiratórios, sensoriais, provocam
reações físicas, até chegarem ao coração e fazerem ninho em um lugar inominável,
onde aquela sensação cortante fica sambando de salto agulha. Por quanto tempo?
Não sei dizer. Talvez pelo tempo em que o tempo presente em cada um permitir,
suportar, lembrar, esquecer, querer....
Sei que a picada do marimbondo foi como
um filme onde me vi fazendo duas personagens: a criança chorosa pelo chão e a
adulta machucada de pé. Qual das duas é a atual? Acho que as duas. A diferença
está naquela que eu escolho para entrar em cena. E essa escolha a gente só pode
fazer quando existe mais de uma forma de encarar a dor. Nós sentimos de
diversas maneiras. Nossas emoções, alegres ou tristes, podem tomar diferentes formas,
mais ou menos intensas, mais ou menos duradouras. E nisso reside uma escolha
importante: com quem você quer compartilhar todas estas suas variações? Nem
sempre é com seu vizinho, com seu colega de trabalho, com seu pai, com o
porteiro do prédio. Às vezes, não é com ninguém além de você mesmo. Então,
alguém tem que entrar em cena todos os dias. Quem você escolhe?
Eu escolho aquela que me permite ser verdadeira comigo mesma e com as pessoas, mas que também é forte o bastante para encarar de peito aberto o mundo e todas as dores que ele com certeza vai me causar. A criança chorosa também me acompanha, mas eu a pego pelas mãos e olhando em seus olhos, lhe digo: “Olha, as cortinas estão fechadas pra você agora, eu preciso de você lá dentro comigo, nos camarins e nas coxias, me ajudando a me recompor toda vez que o mundo me fizer em pedaços. Assim, sempre que eu estiver machucada você me prepara pra entrar em cena inteira”.
E então ela sorri e caminhamos sempre de mãos dadas.
Eu escolho aquela que me permite ser verdadeira comigo mesma e com as pessoas, mas que também é forte o bastante para encarar de peito aberto o mundo e todas as dores que ele com certeza vai me causar. A criança chorosa também me acompanha, mas eu a pego pelas mãos e olhando em seus olhos, lhe digo: “Olha, as cortinas estão fechadas pra você agora, eu preciso de você lá dentro comigo, nos camarins e nas coxias, me ajudando a me recompor toda vez que o mundo me fizer em pedaços. Assim, sempre que eu estiver machucada você me prepara pra entrar em cena inteira”.
E então ela sorri e caminhamos sempre de mãos dadas.
sábado, 9 de março de 2013
Do que realmente precisamos pra estarmos bem?
Alanis foi muito feliz nessa música. É quase uma oração pela paz interior. Estar bem é também uma questão de escolha, por mais estranho que isso possa parecer, podemos ficar bem em condições difíceis, quando os problemas parecem não ter solução, quando a dor parece grande demais pra seguir em frente. Mas, claro, isto é um aprendizado. Demanda tempo, paciência, sabedoria...e... não é fácil.
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