sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Medos


Tenho medo de nunca mais ver o mundo com meus olhos tão fabuladores.

Tenho medo de ser esquecida. Que meus cabelos, olhos, sorrisos (às vezes sem graça) e presença não sejam mais lembrados.

Tenho medo de enlouquecer. Entrar tanto dentro de mim e perder a noção daquilo que sou.

Tenho medo de sofrer, chorar, cair, e não mais levantar.

Tenho medo das reações que provoco. Inclusive, das minhas próprias reações a mim.

Tenho medo daquilo que me dói e é de difícil cura.

Tenho medo de não superar meus desejos e sonhos.

Tenho medo de não ser (nem saber) o melhor que posso ser.

Tenho medo de não me encontrar com o pior de mim.

Tenho medo das minhas forças escassearem.

Tenho medo de não suportar mais a realidade da vida e desistir.

Tenho medo que a vida me baste (ela nunca bastou) e que a arte não me satisfaça.

Tenho medo que a arte não seja suficiente. Que as perguntas me devorem e as respostas se percam.

Tenho medo de ficar perdida para sempre.

Tenho medo que a tristeza não passe.

Tenho medo de não acreditar mais nos meus ideais.

Tenho medo de, acordada, sonhar meus piores pesadelos.

Tenho medo que as palavras não saiam e me sufoquem.

Tenho medo de ter medo de ter medo.

Tenho medo de matar. Tenho medo de morrer. Tenho medo de sobreviver.

Tenho tantos medos em mim que sei que não me encontrei com todos ainda.

Diante disso tudo, tenho medo que o medo me paralise. Não me permita viver e me mate.

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